Aumento do preço e escassez de matérias-primas

17 Set 2021

Nos últimos meses, as empresas têm manifestado preocupações crescentes face ao aumento acentuado do preço das matérias-primas (polímeros, metais, fibras têxteis, madeira), aos atrasos nas encomendas que chegam a atingir os seis meses, assim como aos prazos alargados de entrega de novas encomendas.

Esta situação pode ser explicada, em parte, pela pandemia, que levou a uma quebra acentuada de produção, combinada com uma recuperação da procura mais forte e rápida do que o que se antecipava.

Este problema é sentido a nível mundial, e tem causado grandes dificuldades em empresas de todos os países e em numerosos setores. De acordo com o “Commodity Markets Outlook” (Banco Mundial, Abril 2021), o preço de 4/5 das commodities estava acima do nível pré-pandemia, e muitas delas de forma considerável. Associados da CIP reportam aumentos na ordem dos 300% em alguns produtos.

A isto, acresce a falta de microchips e semicondutores, onde há grande concentração na produção e onde se identifica uma dependência clara da Europa face a países terceiros, levando a paragens temporárias de produção com consequências em toda a cadeia de fornecimento. De referir que a Comissão Europeia anunciou, a 15 de setembro, que irá propor “uma nova lei europeia no domínio dos circuitos integrados (European Chips Act), com o objetivo de criar em conjunto um ecossistema europeu de circuitos integrados de vanguarda, que inclua a produção.”

Esta situação é também exacerbada, pelo aumento de custos de transporte, nomeadamente marítimo, onde o preço de um contentor quadruplicou no último ano, e o aumento no preço da energia.

Outros fatores, como a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, controles à exportação, especulação financeira no mercado das commodities, e propostas legislativas a nível europeu que aumentam a incerteza na relação com algumas grandes economias, acentuam a complexidade do problema e influenciam eventuais rumos de ação.

Os desenvolvimentos acima descritos têm impactado de forma severa no funcionamento das empresas, cujas margens se encontram esmagadas. O problema do preço e escassez de matérias-primas é complexo, e as soluções não são nem evidentes, nem de impacto rápido.

É também necessário assegurar que, para mitigar o problema presente, não se apliquem soluções que possam trazer efeitos negativos no médio e longo prazo. A dependência excessiva da Europa em setores ditos “estratégicos” foi colocada em evidência no rescaldo da pandemia, e a presente crise de matérias-primas assim o confirma. No entanto, será necessário evitar que os governantes vejam, nesta situação, uma oportunidade para políticas intervencionistas, com seleções de campeões e subsidiação de setores, ou introdução de políticas protecionistas. Devem, sim, criar-se condições para o desenvolvimento de uma indústria moderna, com capacidade de investimento em investigação, novas tecnologia, técnicas, materiais e formas de produção, que permitam reduzir a dependência europeia face a outras economias, aumentar a diversificação, reduzir cadeiras de valor e aumentar a proximidade, sem criar uma ilusão de autossuficiência na UE.

Dito isto, há decisões específicas que podem contribuir para mitigar o problema em alguns setores. Recentemente o governo português decidiu apoiar a continuação das cláusulas de salvaguarda do aço impostas pela União Europeia por mais três anos, decisão esta defendida pelos países europeus produtores de aço, mas que poderá impactar negativamente Portugal num momento onde o “excesso de capacidade” no aço já não se verifica.

Estando perante um problema à escala global, onde ações a nível nacional terão impacto limitado, a CIP está a procurar encontrar vias de atuação a nível europeu, juntamente com a BusinessEurope e as suas congéneres europeias.

Neste momento, a BusinessEurope encontra-se a mapear a situação, tendo preparado um questionário, que pode descarregar aqui, e que solicitamos aos Associados que preencham com o máximo de informação possível e procedam ao seu envio para os serviços da AEB até ao próximo dia 23 de setembro. Os dados recebidos serão tratados para apoiar uma reflexão sobre os problemas e apoiar a definição de ações concretas.

Esta informação será também muito útil para usar junto das Autoridades Nacionais, nomeadamente a DGAE – Direção Geral das Atividade Económicas, e para transmitir à Comissão Europeia, que se encontra a desenvolver um exercício de mapeamento das dependências de produtos oriundos de mercados extra-EU. Refere-se também, a título informativo, que a Comissão Europeia realizou já uma primeira análise das dependências estratégicas da UE, com base na análise dos dados estatísticos das suas importações, que consta no Report on strategic dependencies and capacities.

 

Posicionamento estratégico da CIP:

→ Continuar a defender uma política de abertura de mercados, não apoiando eventuais políticas intervencionistas ou protecionistas.

→ Defender a criação de condições para o desenvolvimento de uma indústria moderna, com capacidade de investimento, que permitam reduzir a dependência europeia face a outras economias, mas sem criar uma ilusão de autossuficiência na UE.

→ Reiterar a necessidade de não sobrecarregar as empresas com custos, burocracias e dificuldades acrescidas, num contexto pós pandemia e de grande aumento de custo das matérias-primas e energia.

 

Proposta de atuação:

→ Participar ativamente no trabalho da BusinessEurope, incentivando as empresas a responder ao questionário e influenciando a posição final.

→ Preparar uma ação de sensibilização/informação das Entidades nacionais e representantes nacionais junto da U.E.

 

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