Artigo de opinião | Uma análise ao desempenho turístico de Braga

23 Fev 2024

Os dados provisórios do INE indicam que Braga registou 635 mil dormidas durante o ano 2023. Apesar do resultado alcançado significar um crescimento de 3% face ao ano anterior, ainda assim o número de dormidas em 2023 ficou abaixo do valor recorde atingido em 2019 (639 mil dormidas), e ficou também abaixo da taxa de crescimento média nacional (influenciada pelos resultados de Lisboa e Porto), mas também, das principais cidades com que Braga se deve comparar (V.N. Gaia, Matosinhos, Aveiro, Coimbra, Cascais, Sintra ou Évora).

Analisando uma série mais longa, verificamos que, nos últimos onze anos (2013-2023), Braga mais do que duplicou o número de dormidas (+117%), resultado que apenas foi superado pela cidade do Porto (+179%) no conjunto de cidades acima mencionado. No entanto, neste período, as restantes cidades competidoras também registaram um crescimento semelhante ao de Braga (acima de 110%), exceção feita a Coimbra com um crescimento mais modesto (+70%).

Uma das ilações que podemos tirar destes números é que o ritmo de crescimento da procura turística em Braga, no período pós-pandemia, está a abrandar face aos nossos concorrentes, bem como face ao crescimento que evidenciou na primeira metade da última década.

Neste particular, merece uma especial nota de atenção a evolução do número de dormidas de 2019 a 2023 na região Norte, que cresceu cerca de 23% neste período. Este crescimento da região é suportado essencialmente pelo crescimento fulgurante da procura na cidade do Porto (+28%) e pelo contágio do sucesso do Porto nas cidades vizinhas, nomeadamente em V. N. Gaia (+33%) e Matosinhos (+14%), mas também em cidades mais distantes como é o caso de Aveiro (+20%). Neste período, Braga decresceu 0,6%, o que nos deve levar a interrogar porque é que não estamos a ser capazes de apanhar a boleia do sucesso turístico do Porto. Para se ter uma exata perceção do que está a acontecer no Porto, atente-se no número de dormidas registado naquela cidade em 2023 – quase 5,9 milhões!

Ao nível dos proveitos, de 2019 a 2022, a evolução verificada demonstra que uma maior pressão na procura também origina uma maior retenção de valor em consequência da atividade turística. Assim, neste período, a região Norte registou um crescimento de 20% dos seus proveitos turísticos e cidades como V. N. Gaia, Matosinhos e Aveiro registaram crescimentos de 36%, 24% e 18%, respetivamente, ao passo que Braga, em consequência da menor pressão turística, apenas registou um crescimento de 7% nos proveitos.

Impõe-se, por isso, uma reflexão sobre o que é que está a restringir a atratividade turística do concelho de Braga à escala nacional e ibérica. Parece-me claro que o não surgimento de novas unidades turísticas nos últimos 5 anos tem sido, claramente, um fator que prejudica esta atratividade – a novidade é sempre um grande acelerador da procura -, mas creio que também deve merecer uma profunda reflexão se a estratégia de promoção nacional e internacional do destino de Braga está a ser bem-sucedida, se precisa ou não de ser revista, se precisa ou não de ser reforçada. Também a conexão turística Braga – Porto deve merecer uma análise aprofundada, no sentido de serem planeadas e implementadas um conjunto de ações que potenciem as sinergias turísticas com o Porto, de forma a que Braga possa aproximar-se e beneficiar de um mercado que vale quase 6 milhões de dormidas e de um aeroporto que registou, em 2023, mais de 15 milhões de passageiros.

Naturalmente, que há muita coisa que, em Braga, tem sido feita e bem feita, mas não podemos “tirar o pé do acelerador”, porque o setor do turismo é dos setores mais concorrenciais do mundo. Temos de ser ambiciosos e pró-ativos, porque Braga tem um potencial turístico muitíssimo superior à maior parte das cidades portuguesas de dimensão semelhante. Não nos podemos é conformar em ter menos dormidas do que Coimbra, Sintra, Évora ou até Fátima. Mas, temos de fazer por merecer esses resultados, porque o sucesso dá muito trabalho, como bem sabemos.

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